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| Greves históricas dialogam com a sociedade: Metalúrgicos do ABC 1979 |
Atualmente, neste país, vivemos uma conjuntura conservadora. É fácil observar que a utilização política dada ao ajuste fiscal no campo econômico promovido pelo governo Dilma no início deste mandato aliada as pautas retrógradas discutidas no congresso brasileiro trazem para a cena nacional um prato cheio ao conservadorismo latente da sociedade brasileira.
Quando olhamos para o
horizonte e pensamos em formas de como reagirmos a isso, só podemos ver saídas dentro da organização
dos atores sociais do país voltados a defesa das conquistas alcançadas até
aqui. E, para o momento, não vejo a possibilidade de avançar pautas
progressistas, apenas estancar o apelo reacionário.
O que esses atores
precisam defender para assim se fazerem ouvidos é a promoção do amplo debate junto à
sociedade brasileira das questões levantadas até agora que afetarão diretamente
a vida dos cidadãos. Como exemplo a terceirização das atividades fins de
trabalho, redução da maioridade penal e a contra reforma política em curso.
Tendo em vista que os
campos da comunicação estão infestados por lacaios do conservadorismo
tradicional, acredito que apenas com as velhas ferramentas populares será
possível comunicar que retrocessos não serão aceitos por aqui. Ferramentas como
marchas, debates populares, rodas de conversa, paralisações, greves são neste
momento imprescindíveis para frear o avanço conservador.
Tendo
posto isto em
conta e, agora, considerando a já concreta possibilidade de instauração
de greves
nas Universidades Federais do Brasil, não posso nem como estudante, nem
como
cidadão, nem sob nenhum outro ângulo pessoal, debater sobre a
legitimidade ou
não da greve. É legítima. E apoio incondicionalmente. Ainda mais em um
setor
que foi afetado com cortes de verbas já no início de ano e que corre o
risco de
ser afetado diretamente com a discussão da terceirização no congresso.
Atrelada a diversas paralisações/greves em outros setores e a diversas
ações dos movimentos sociais, defenderão bandeiras e levarão ao debate
nacional quais políticas devemos adotar para o país.
Obviamente a adesão pelos
professores e técnicos das Universidades a greve afeta diretamente os
estudantes que estão neste ambiente. Afeta ainda mais os estudantes que, sendo
filhos da classe trabalhadora, dependentes dos auxílios financeiros e em
condições de vulnerabilidade social, estão na luta diária para o caminho da
formação superior. Onde qualquer intervalo imprevisto de espera para a formação pode se transformar em um
drama.
Considerando
que a realidade nacional do ensino superior ainda é um privilégio de
poucos
e, aprofundando-se ao ensino superior público, ainda mais seletivo,
deve-se
prontamente haver uma discussão sobre como afetar da menor forma
possível tais
estudantes. Principalmente sobre como não afetar os estudantes que
enfrentam maiores dificuldades para se manter neste universo
historicamente direcionado as elites brasileiras.
Ainda assim pontuo que
todo o esforço da sociedade brasileira para impor-se frente a discursos
passados e a manutenção do arcaico modelo civilizador no país é bem vinda e,
assim, não vejo dúvidas pairarem na minha cabeça. Greve já! Em todas as
Universidades Federais do país!
Claudio Santana
Claudio Santana

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