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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Greve nas Federais Brasileiras - Defender para avançar

Greves históricas dialogam com a sociedade: Metalúrgicos do ABC 1979

Atualmente, neste país, vivemos uma conjuntura conservadora. É fácil observar que a utilização política dada ao ajuste fiscal no campo econômico promovido pelo governo Dilma no início deste mandato aliada as pautas retrógradas discutidas no congresso brasileiro trazem para a cena nacional um prato cheio ao conservadorismo latente da sociedade brasileira.

Quando olhamos para o horizonte e pensamos em formas de como reagirmos a isso, só podemos ver saídas dentro da organização dos atores sociais do país voltados a defesa das conquistas alcançadas até aqui. E, para o momento, não vejo a possibilidade de avançar pautas progressistas, apenas estancar o apelo reacionário.

O que esses atores precisam defender para assim se fazerem ouvidos é a promoção do amplo debate junto à sociedade brasileira das questões levantadas até agora que afetarão diretamente a vida dos cidadãos. Como exemplo a terceirização das atividades fins de trabalho, redução da maioridade penal e a contra reforma política em curso.

Tendo em vista que os campos da comunicação estão infestados por lacaios do conservadorismo tradicional, acredito que apenas com as velhas ferramentas populares será possível comunicar que retrocessos não serão aceitos por aqui. Ferramentas como marchas, debates populares, rodas de conversa, paralisações, greves são neste momento imprescindíveis para frear o avanço conservador.

Tendo posto isto em conta e, agora, considerando a já concreta possibilidade de instauração de greves nas Universidades Federais do Brasil, não posso nem como estudante, nem como cidadão, nem sob nenhum outro ângulo pessoal, debater sobre a legitimidade ou não da greve. É legítima. E apoio incondicionalmente. Ainda mais em um setor que foi afetado com cortes de verbas já no início de ano e que corre o risco de ser afetado diretamente com a discussão da terceirização no congresso. Atrelada a diversas paralisações/greves em outros setores e a diversas ações dos movimentos sociais, defenderão bandeiras e levarão ao debate nacional quais políticas devemos adotar para o país.

Obviamente a adesão pelos professores e técnicos das Universidades a greve afeta diretamente os estudantes que estão neste ambiente. Afeta ainda mais os estudantes que, sendo filhos da classe trabalhadora, dependentes dos auxílios financeiros e em condições de vulnerabilidade social, estão na luta diária para o caminho da formação superior. Onde qualquer intervalo imprevisto de espera  para a formação pode se transformar em um drama.

Considerando que a realidade nacional do ensino superior ainda é um privilégio de poucos e, aprofundando-se ao ensino superior público, ainda mais seletivo, deve-se prontamente haver uma discussão sobre como afetar da menor forma possível tais estudantes. Principalmente sobre como não afetar os estudantes que enfrentam maiores dificuldades para se manter neste universo historicamente direcionado as elites brasileiras.

Ainda assim pontuo que todo o esforço da sociedade brasileira para impor-se frente a discursos passados e a manutenção do arcaico modelo civilizador no país é bem vinda e, assim, não vejo dúvidas pairarem na minha cabeça. Greve já! Em todas as Universidades Federais do país!

Claudio Santana

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