
Ontem estreou o "novo" SBT Brasil, com Joseval Peixoto (da rádio Jovem Pan AM REPITA da rádio Jovem Pan AM REPITA) e Rachel Sherazade Shehearazade (dei destaque porque o nome dela é assim mesmo). Ela ficou famosa na TV Tambaú, afiliada do SBT na Paraíba, graças a um comentário sobre o Carnaval no Tambaú Notícias, que bombou no YouTube. Bem, o Silvio, levado a ver o vídeo por um dos seus maravilhosos conselheiros que entendem tudo de televisão (favor ler esta frase com um tom irônico bem acintoso), resolveu que ia transferi-la pra cabeça de rede (São Paulo). Aí começaram os pilotos (testes), chamaram o Joseval, e estrearam o jornal ontem.

Agora, fatos históricos sobre o SBT Brasil (o jornalismo no SBT vai virar série mais pra frente). O jornal, com este nome, começou em 15 de agosto de 2005, com a vultuosa contratação de Ana Paula Padrão. Era um jornal com estilo bem americano. Uma bancada do tamanho do mundo, um telão idem, com bolinhas passando deixando todo mundo enjoado (eu, confesso, nunca fiquei). Aí reduziram a velocidade das bolotas, mas o jornal continuou com o mesmo conteúdo, e os sucessivos goles d'água da Padrão no encerramento.
Aí a Ana Paula cansou de brincar no playground do patrão, foi para a Record. Nesse meio tempo o jornal foi apresentado por Guilherme Menezes, Joyce Ribeiro (revelação do SBT, é bom que se diga), e uma série de outros âncoras. Até a chegada do Carlos Nascimento. A estreia dele foi em 2006. (veja aqui uma escalada de dezembro, já com o Nascimento).

Sobre a parte gráfica, evoluções e evoluções durante os anos. E regressões também. A famigerada "pergunta do dia", em que Carlos Nascimento e Cynthia Benini (que merece um post a parte também) atendiam telefonemas de povo respondendo perguntas, algo visto na fase sombria do jornalismo sbtista. Ainda bem que durou pouco e o jornal voltou ao conteúdo forte e preciso. O cenário deixou de ser um estúdio montado e passou para num "aquário" montado no meio da redação.

Em 2008, mudança da vinheta, mais escura e com trilha sonora mais "americna" e a incorporação de Karyn Bravo na previsão do tempo, e depois na apresentação. A Karyn, aliás, veio da Band, onde também fazia a previsão do tempo. Pouca coisa mudou na estrutura do jornal, em termos. Além de ter dois apresentadores, começaram as gracinhas do Nascimento. Como a vez que ele "foi convidado a se retirar" do chroma para que ela apresentasse a previsão, e por aí vai. Gracinhas, piadinhas, tudo pra tentar atrair a audiência. E as mudanças de horário. Começou 19h15, 20h00, 20h30, 21h00, 20h00, 20h30, 19h30 e por aí vai.

Em 2010, novo cenário. Ainda dentro da redação - de onde nunca mais saiu -, mas com umas coisinhas que chamam atenção. Durante a vinheta, um take do estúdio com os apresentadores andando, algo visto em 1996 no Telejornal da RTP (Portugal), sem a andada. Aliás, o fato de mostrar apresentadores andando foi também inspirado na própria RTP, no padrão gráfico de lá 2002-2004. Essa vinheta sempre gerou controvérsia, porque não havia necessidade de mostrar os apresentadores indo pra bancada. Mas, ficou.
Em janeiro deste ano, um novo pacote gráfico foi estreado no jornal. Muito bem. Hoje, Nascimento está no Jornal do SBT Noite, lá pela madrugada, junto com a Cynthia. A Karyn está de férias, mas vai voltar à previsão do tempo nesse novo jornal. Mas o quero comentar é: o que fizeram com o SBT Brasil 2011?

Ontem assisti a estreia. Óbvio. A promessa era fazer um jornal mais popular, para tirar audiência do Jornal da Band, enfim. Bem a cara do SBT. Tá. A matéria de abertura do telejornal foi sobre TIPOS DE CHEFES! Quase todo o primeiro bloco foi montado com matérias frias, geladas, congeladas (aquelas que não são as do dia). A única notícia "do dia" neste bloco foi sobre o içamento daquele barco que naufragou no lago em Brasília. Ainda sim, uma nota coberta (quando o apresentador lê um texto com imagens do fato). O factual mesmo só começou, em termos, NO SEGUNDO BLOCO. Aí eu desisti (somado ao meu mau humor) e fui dormir.
A interação entre os dois? Ainda é discreta, e até compreensível. Ele, 53949 anos de rádio, ainda não se acostumou com o teleprompter e a obrigatoriedade em olhar sempre para a câmera. Já ela, me surpreendeu. Eu sempre achei o sotaque dela forte, mas ontem ela mostrou que não tem, e que era tudo impressão. Lê muitíssimo bem. Mas, falta. Falta muito.
Sobre a edição de ontem, uma matéria com integração entre praças. Muito bem. Isso é legal, e foi com um tema bem a calhar, sobre os diferentes climas do país. Ponto positivo. Outra coisa legal: repórter fazer a chamada na escalada com um texto inédito. Geralmente, quando se faz isso em outras emissoras, usam um trecho da passagem (ou stand-up, quando o repórter aparece na matéria). Legal também. Mas fica por aí. A estrutura das matérias perdeu um pouco a qualidade que havia antes, tudo em detrimento ao apelo popular. Agora, o repórter aparece mais de uma vez na reportagem, bem estilo showzinho. E assuntos sérios são tratados como notas cobertas lidas pelos âncoras.
Agora, aspectos técnicos. Sempre paguei pau pro departamento de arte do SBT. Sempre. Todo novo grafismo dos telejornais (vinhetas, caracteres, etc) são simplesmente lindos. E não deixou de ser diferente neste caso. A trilha segue a base da anterior, mas com menos "saxofones", mais densa. Mas não combina com o conteúdo oferecido pelo telejornal. Se fosse com o Nascimento, aí sim.
Não é de hoje que o SBT é conhecido por se inspirar em vinhetas, logos e grafismos norte-americanos. O próprio SBT Brasil de 2005 foi uma inspiração clara do ABC World News Tonight (o vídeo é em qualidade ruim, mas dá pra ter uma ideia). A reestilização com o Nascimento também tem uma grande semelhança com a vinheta do Telediario (TVE, Espanha).
E em 2011? O pessoal do SBT desistiu de viajar pelo mundo, e resolveu ligar a TV pra ver o Brasil mesmo. Essa vinheta é levemente inspirada na nova do BandNews TV e do próprio Jornal da Band! Bom, pelo menos foi da Band, que também faz vinhetas excelentes. Pior se tivessem copiado da Globo News!
É uma pena como detonaram o jornal. Reflexo na audiência? Perdeu por 0,1 da Band. Números normais. Confesso: há tempos não assistia. Dou preferência pro Boechat, porque me é muito engraçado ver a cara séria dele, enquanto de manhã na rádio ouvimos algumas barbaridades como 'cantadas de pedreiro', a conversa com o José Simão, e outras coisas... (Que conste, eu adoro o Boechat, de verdade)
Pra encerrar, fica um vídeo que você precisa ver. São 13 minutos, é bem verdade, mas veja como foi a despedida da Rachel do Tambaú Notícias. Esse MERECE ser visto. É um programa de auditório, praticamente.
PARABÉNS FÊ PELO POST, ADOREI! OBS.: DIGA-SE DE PASSAGEM QUE MEU PAI TAMBÉM NÃO GOSTOU DO NOVO FORMATO DO JORNAL... RSRS EU NÃO POSSO DIZER NADA, POIS NÃO ASSISTI! MAS, OUVI AS RECLAMAÇÕES DO MEU PAPIS QTO AO CONTEÚDO...
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