Amizade, algo tão necessário, tão natural...
Ás vezes essa é apenas pra um chopinho, um bate-papo e também tem aquelas em que você pode falar sobre tudo, pode contar com ela sempre. Mesmo quando você se fecha para o mundo e se esquece de tudo, do seu lado, esta lá aquela amizade a sua espera.
Tem amigos, que nos acompanham ao transcorrer da vida, você os conhece no início,na infância e esses seguem com você.Mas grande parte desses amigos permanece somente nessa fase e no transcorrer da nossa da vida, destes só temos as lembranças.
Lembranças das brincadeiras, das festas, dos doces, das nossas peraltices e de tudo que deixa a infância sempre com gosto de chicle.
A separação dos primeiros amigos se dá de maneira tão natural, que nem percebemos. Logo vêm à adolescência e suas dúvidas, seus dilemas e com certeza novos amigos.
Esses vêm pra compartilhar coisas bem diferentes, chegam com a fase da descoberta, com esses temos nosso primeiro porre, são testemunhas e confidentes dos nossos primeiros arrombos amorosos, da sensação de medo e descoberta do primeiro beijo.
Com esses ficamos horas falando sobre a “banda do momento” sobre a festa de sábado, sobre como mentiremos pro nossos pais, pois com certeza “não iremos ficar bêbados”.
E é com esses também que dividimos a aflição do vestibular, o medo e a dúvida do amanhã.
E mais uma fase se cumpre e novamente alguns amigos ficam e outros prosseguem com a gente. E então a tão esperada juventude chega e com ela a busca de novos horizontes, "de nos encontrarmos” e do nosso lado os amigos.
Esses nos apóiam nas tão frequentes quedas nos acompanham na busca da inserção no mercado de trabalho e muitos desses encontramos no nosso trabalho, compartilhando a labuta diária.
E há amigos que não importa em qual fase você os encontrou sabemos e sentimos que dali em diante, mesmo que a vida nos leve por caminhos bem distintos, esses estarão presentes.
Esses são aqueles, com os quais nos falamos todos os dias, que dizem “não gostei do que você fez” quando erramos e dizem isso sem medo, porque sabem que nossa amizade permite. Esses são tão amigos que parecem irmãos.E existem aqueles que encontramos em um dia qualquer, do nada, geralmente surgem na estação enquanto esperamos o trem ou enquanto estamos parados olhando a vida passar.
Esses chegam de mansinho, como se fosse apenas um alguém sem importância e de repente se instalam na nossa vida. Nós nos acostumamos tão facilmente com sua presença, esses têm poderes “sobrenaturais”.
Eles transformam nosso dia-a-dia, eles conseguem fazer chover nas temporadas mais secas e colorem o céu de azul no exato momento em que abrimos a janela.
O grande problema desse amigo é que na maioria das vezes ele não é pra sempre, ele vem causa o melhor “furacão” da sua vida, e vai embora sem despedidas, sem promessas. Ele simplesmente parte.
Mas o bom foi o que esse amigo deixou aqui, ele simplesmente muda nossa visão sobre tudo e todos.Nos torna mais amistosos, mais felizes, mais célebres.
Há um tempo eu tive um amigo assim. Ele me deixou mais generosa, mais caridosa, autoconfiante e principalmente com uma vontade enorme de fazer o bem e também deixou saudades.
E dá forma em que chegou, ele partiu. De mansinho, sem alardes, sem promessas.
E ás vezes me pego perguntando: Onde estará meu amigo, agora?
Agradeço muito, por um dia ele ter estado aqui e por tudo que essa amizade me proporcionou. Nossa breve convivência me fez repensar alguns atos e acordou dentro de mim sonhos que estavam esquecidos, me fez dedilhar novamente sobre as palavras, me fez lembrar o quanto isso é bom.
Meu amigo cumpriu com glórias e louvores sua missão na minha vida e agora ele colore outros jardins e desperta outros sonhos.
Jamais prenderia em uma gaiola um pássaro encantado, sei que o que o torna encantado é a sua liberdade. Por isso, meu amigo, “meu pássaro encantado”, voe.
*Ilustração: Rúbia Gonçalves
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