
Vivemos preocupados com o amanhã, preocupados em nos estabelecer financeiramente, em ser tudo aquilo que os outros esperam que sejamos.
Talvez, se não houvesse ninguém cobrando, ninguém questionando. Quanta coisa deixaria pra lá, o quanto leve nos sentiríamos.
Em uma troca de e-mails com amigas sobre um link citando seis boas razões para ser solteira aos 30, fiquei pensando o quanto, já li e vi vários desses links sempre falando que, antes de chegar aos trinta “você tem que” ou quando estiver com trinta tem que “estar assim”. Eu não sei quanto aos homens, mas nós mulheres sofremos constantes cobranças e pressões.
É cobrança quanto ao namorado se está solteira, em estar sempre magra e esbelta, em ter uma bela profissão, uma vida financeira estável e fazer e ser tudo isto ao mesmo tempo. E por favor, não nos esqueçamos do sorriso nos lábios.
Eu discordo de todas as razões que me disseram do porque é bom eu estar solteira aos trinta e também de todas aquelas que dizem que é bom eu estar com alguém aos trinta.
Eu ainda não tenho trinta anos e se tivesse e não me encaixasse em nenhuma dessas listinhas não ligaria. Afinal, pensam que devo estar, ser ou agir dessa maneira baseados em que, mesmo.
Eu sou contra pressões sociais, considero que essas apagam o que há de melhor em cada um, para nos fazer andar numa espécie de vestimenta única, retira nossa individualidade extingue nossa capacidade de pensar por si só, e por fim, estamos nós fazendo e agindo sempre da mesma forma.
Eu não sei como será o amanha, afinal de contas ele ainda não existe, não quero gastar os segundos que tenho agora arquitetando como devo ser ou estar no futuro. Existem imprevistos e eu posso mudar de idéia, de gostos, de opinião.
E é assim que surgem as frustrações, é criada em cima das pessoas expectativas que essas jamais se propuseram ou queriam se tornar algum dia.
Ás vezes as pessoas se impõem, como se o outro não pudesse ser diferente não pudesse ter idéias contrárias a nossas.
É desse modo que geralmente fazemos com as crianças, quando elas gostam de algo que não nos convém ou nos agrada.
Quantas vezes ao presentearmos as crianças com o brinquedo do “momento” e ao vermos que essa nem ligou para isso e preferiu ficar agarrada com seu ursinho velho e sujo, fazemos de tudo para que essa deixe o seu boneco de lado e fique com o nosso presente. Deixamos de levar em conta os sentimentos que essa criança deve ter nesse ursinho, passamos por cima da convicção desta sem dó, sem nos perguntar o porquê do real apego nesse ursinho e assim a criança acaba por acreditar que é melhor aceitar a opinião alheia ao invés de cultuar e respeitar o que ela realmente sente.
E essa cena se repete em várias circunstâncias da nossa vida, seja quando você resolve seguir algo completamente oposto do que sua família segue, ou que a “maioria” acredita.
Mas todos cobram, tentam polir e regimentar até a maneira como você ama e se relaciona.
Quantas vezes ouvimos: “Então vocês estão ou não realmente juntos?”
Ei, posso ter minha forma de amor, de relação, talvez dividir a cama, as escovas não seja para mim o melhor, cada um tem a sua maneira, o seu jeito. Os únicos beneficiados ou afetados com isso são os diretamente envolvidos nessa relação.
É um tal de “esse é o jeito certo” e você esta fazendo da forma errada. Espere ai, isso aqui não é uma fórmula matemática, é uma vida.
Esses dias uma amiga veio me visitar e notou que guardo o açúcar em uma vasilha onde está escrito sal do lado de fora. Então ela me perguntou o porquê eu fazia aquilo. Por qual razão, não colocava o sal naquela vasilha já que esse é o modo correto. “Modo correto”, o que é isso?
Se for para viver tendo que seguir modos corretos, guias. E se no fim por não ter atingido o que estava no script que escreveram para mim, isso me tornar uma derrotada; “Afinal, o que será de mim aos trinta, solteira e não sendo uma CEO. Oh, my god!”

Desculpa-me, mas não é assim que quero viver, quero sair sem destino, fazer o caminho inverso em avenidas de direção única e por fim saber que não entreguei os pontos e sempre agi, pensei, gritei por vontade própria sem oposições, sem vontades alheias.
Eu quero me permitir, sem me preocupar com o amanhã, afinal de contas o amanhã ainda não existe e tudo que tenho é esse exato segundo.
As concepções que criaram para eu viver, os rótulos em que tentam me encaixar e me vestir. Sinto muito, não servem. Eu sou, fui e sempre serei a contramão do correto e a vivência da exata loucura abstraída da verdade da minha alma.
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