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quarta-feira, 28 de março de 2012

O México e Chaves nos ensinam

Chico Anysio descansou. Dono de mais de 200 personagens, foi fazer humor para os deuses. Assim como quando partiram outros ídolos deste país, homenagens começaram – diga-se de passagem, merecidas – estouraram na mídia.

Enquanto isso no México, Roberto Gómez Bolaños, conhecido por estas terras como Chaves, recebeu ainda em vida mesmo muito debilitado uma justa e merecida homenagem que no Brasil foi exibida pelo “Programa do Ratinho”. O México deu grande lição a este Brasil. O México ensinou que ídolos devem ser eternizados enquanto vivos, justamente ao contrário do que acontece no Brasil, onde grandes pessoas só são lembradas depois que partem para descansar no céu. A festa feita para o comediante que ainda provoca risos em todo o mundo foi emocionante. Também posso estar errado e o México também repete o Brasil e não homenageia todos seus ídolos em vida, salvo exceções.

Enquanto isso o Brasil carece de bons ídolos, digo ídolos que sirvam de exemplo para a população, assim como foi Ayrton Senna – meu maior ídolo ao lado de meu querido pai – e não Neymar que move multidões, mas demonstra ser vazio em suas declarações. E os ídolos que hoje ainda estão vivos e fora da mídia em sua maioria são esquecidos e salvo exceções são lembrados em telejornais com notas de cinco segundos relatando seu falecimento ou quando estão na miséria, pois não souberam administrar o que conquistaram.

No Brasil talvez morrer pode marcar a passagem de um cantor, atleta, escritor, jornalista, político ou qualquer coisa para a condição de ídolo. Claro que cada um tem seu ídolo, não quero e nem devo entrar neste mérito, mas ressalto que eles estão em falta.

O Brasil este país tão maravilhoso precisa aprender a valorizar as pessoas enquanto vivas. O Brasil precisa aprender a respeitar seu passado, para que erros como estes não se repitam no futuro. Um país tão rico como este não pode ter uma história pobre de ídolos ou logo em breve não saberemos dizer para nossos filhos quem foram nossos heróis. Aqueles que nos espelhamos para moldar nosso caráter.

Quem não viu pode e deve correr para o Youtube ou para o site do SBT.

Um comentário:

  1. Caríssimo, boa noite,
    Concordo em gênero, número e grau com a sua reflexão. Se me permite, resgato uma estrofe de "Como nossos pais", de Elis Regina (magistral!), que os fala sobre heróis. Eis:
    "Nossos ídolos
    Ainda são os mesmos
    E as aparências
    Não enganam não
    Você diz que depois deles
    Não apareceu mais ninguém
    Você pode até dizer
    Que eu tô por fora
    Ou então
    Que eu tô inventando..."

    O que mais me dói hoje, é ver Pedro Bial ser obrigado a chamar de heróis, aquelas bestas que ficam confinadas no BBB (por conveniência, acredito, para manter o seu emprego na Rede Globo de Televisão).
    Aqueles a quem poderíamos ou deveríamos chamar de nossos heróis, estão, como dito por você de certa maneira, sendo enterrados antes de morrer e quando morrem literalmente, já foram esquecidos em vida!
    Obrigado por sua visita ao meu blog http://pedagogiadosprojetos.blogspot.com.br/(lá em janeiro...).
    Parabéns pelo maravilhoso espaço virtual!

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