Esta chegando mais um dia internacional da mulher e com ele as rosas, as propagandas, as ideias de fazer mais um merchandising como acontece em torno de todas “datas festivas”.
Mas, antes de tudo deveria se falar na posição atual da mulher, de certo vencemos mil e uma barreiras, teoricamente, eu disse teoricamente, no Brasil hoje nós mulheres temos direito igualitários aos homens, como por exemplo, temos direito ao voto, temos de direito de ir e vir e direito de nos posicionar diante de qualquer situação.
Contudo não é com isso que me deparo todos os dias, basta o acesso a redes sociais, alguns programas e comerciais de TV, basta ver o comentário de alguns homens, o pior o comentário de algumas mulheres. Algumas pessoas ao lerem este texto vão dizer que estou sendo enfática demais, que não é para tanto, mas acreditem é! Eu sou mulher e já me deparei e vou continuar me deparando com situações de machismo.
Ainda é com alto medo que andamos de saia curta no meio da rua, ou vocês acham que é fácil se deparar com olhares que te acham um pedaço de carne. Claro que é muito bom para o ego saber que se é desejada que o outro esteja te achando bonita, mas tudo tem uma maneira correta de se expor. Imaginem a cena um dia de intenso calor, tudo que você menos quer é muita roupa, mas daí, dizem que você esta provocando, que a culpa é sua se algo acontecer.
Meu Deus, realmente deve ser o fim dos tempos. Em que século vivemos?
Sem falar nos altos índices de caso de estupro que encontramos hoje, em pleno século 21 e não vai pensando você que isso só acontece em país com baixa instrução, não. Somente na cidade em que vivo a qual é considerada uma das melhores cidades do estado de São Paulo consta dados que ocorram 36 casos de estupros por mês1.
Têm ideia do que é isso? São 36 seres humanos mutilados, dilacerados. E o pior estima-se que o número possa ser bem maior, pois, na maioria a vitima não presta queixa por vergonha.
Sim, não dão queixa por vergonha, pois foram anos convivendo com uma sociedade injusta e altamente machista aonde a vitima facilmente senta no banco dos réus. Afinal, se ela estava trajando shorts curtos, logicamente isso é um bom motivo para estuprá-la.
Ao acessarmos qualquer rede social, onde os ânimos estão todos libertos, onde se usa a torto e a direito o poder de expressão de ideias (eu sou totalmente a favor disto), basta isso para nos depararmos com situações onde a mulher esta sendo o alvo principal, para notarmos as seguintes expressões: “Ela é puta olha a roupa dela.”, “ Ela é puta deu para todos”, “ Ela é puta olha o que ela digitava com o cara”.
Então quer dizer que respeitar suas vontades, seus instintos, respeitar suas necessidades fisiológicas básicas algo tão intrínseco e presente em todo ser humano, torna qualquer mulher um ser de segundo escalão, um ser baixo, vil e digno de desprezo.
Agora pense ao contrário quando alguém do sexo masculino ouve os mesmos instintos, sabe o que ele se torna logicamente perante a sociedade “o pegador, disputado e viril”.
Sabe o que ambos se tornam para mim: Nada.
Eles continuam sendo as mesmas pessoas que sempre foram com seus defeitos e qualidades.
É isto que a grande maioria e incluo aqui algumas mulheres, não compreendem o corpo de cada um, pertence somente a este e o que ele faz ou deixa de fazer com ele não muda sua conduta moral.
Agora julgar o outro, baseado em tais fatos, sim isto muda a sua conduta moral.
Eu ainda não entendi aonde o direito da mulher optar por ter prazer sem compromisso, afeta tanto os outros, porque “eles” podem e nos não.
A resposta é única e certeira. Podemos fazer o que nos quisermos, nos podemos sentir o que quisermos e se não quisermos vamos embora e ponto.
Somos mulheres suficientes para pagar conta, para dar conta da casa, dos filhos, do trabalho, também somos mulheres suficientes para assumir nossas atitudes.
Já me disseram que essa forma de ver a mulher é algo cultural. Sabe, pode até ser “cultura”, porém na cultura de algumas tribos indígenas é correto matar crianças que nascem doentes e nem por isso esse ato se torna certo.
Espero que um dia eu possa comemorar o dia 8 de março sabendo que todos tem consciência de antes de ser uma mulher, eu sou um ser humano, sou dona do meu corpo e que respeitar o semelhante é primordial.
1- dados disponíveis no Jornal Correio popular impresso do dia 06/03/2013. Foto disponível em: http://cadaminuto.com.br/noticia/2010/09/01/comercial-de-sex-shop-com-mulher-nua-vira-atracao-em-berlim
Parabéns Maraisa, vc sabe o que escreve e por isso, escreve tão bem. Este é o grido da mulher que faz calar qualquer machista (se este souber ler)
ResponderExcluirObrigada, Flávio
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